* Gabriel Novis Neves
Estava me deslocando de carro com o rádio ligado em um programa de notícias locais. O entrevistado era o secretário municipal de Educação. A cada pergunta feita pelo experiente jornalista – que de poder entende tudo, vinha uma resposta redondinha.
A impressão que os ouvintes tinham, e também o próprio entrevistador, era de que a Educação básica em Cuiabá estava entre as melhores do mundo. Não se faz Educação de qualidade sem professores qualificados e motivados. Com alunos em espaços físicos inadequados, sem bibliotecas, laboratórios, áreas de lazer e alunos em tempo integral.
Para exercer a função de professor é necessário possuir curso superior e enfrentar um concurso público. Após ouvir maravilhas sobre esta Educação pública desconhecida pela população de Cuiabá – não se esquecendo de que os filhos dos ricos e políticos, frequentam Escolas particulares – veio a pergunta que todos os ouvintes gostariam de escutar: “Quanto ganha um professor de ensino básico na rede pública municipal?”.
A resposta não foi tão rápida como aquelas em que o secretário afirmou que não tínhamos crianças fora da Escola; que o número de creches estava sendo aumentado e que a Educação infantil caminhava para a sua universalização. Após uns segundos, o secretário respondeu: “Dentre as capitais brasileiras, Cuiabá é a segunda que melhor remunera os seus professores”.
Diante dessa afirmação, o jornalista, e, claro, os ouvintes, quiseram saber o valor desses salários. “Em meio período (20h), o professor ganha cerca de R$ 1.360. Em dois turnos (40h), o dobro” – respondeu o secretário. Estava encerrada a entrevista.
Tenho uma faxineira que nem sei se tem instrução primária. Chegou à minha casa indicada por amigos por seus méritos pessoais. Trabalha seis horas por semana, com direito a auxílio transporte, café da manhã, lanche, almoço e banho no final do expediente.
Não lava ou passa roupas, não cozinha, apenas faz a manutenção semanal do meu apartamento. Pago com satisfação R$ 85,00 por visita. Em um rápido cálculo verifiquei que, trabalhando cinco dias por semana, seu salário líquido era superior ao de um professor da segunda capital do Brasil a melhor pagar seus educadores.
Os nossos administradores públicos têm a infeliz mania de tapar o sol com a peneira. Se compararmos o salário que o mercado de trabalho oferece a outras categorias profissionais, veremos que o Brasil remunera muito mal seus professores. E o pior: parece que nossos dirigentes não têm consciência disso, ou têm?
No mínimo, eles deveriam reconhecer a nossa real situação educacional, qual seja: de baixíssima qualidade. Pesquisas recentes demonstram que é a estupidez de alguns países que os impede de investirem pesadamente na formação e profissionalização dos seus mestres, e Educação das suas crianças.
Diante dessa visão caolha com relação à Educação – e providencial para a sobrevivência de alguns grupos políticos – estaremos eternamente condenados a ser exportadores de alimentos e matéria- prima para os países que priorizaram a Educação.
A boa Educação passa, necessariamente, pelo bom professor.
Como somos um país rico, o projeto de lei mais importante que tramita no Congresso Nacional é aquele em que se dará o título de Heróis Nacionais aos jogadores titulares, e aos reservas, dos campeonatos mundiais de futebol de 1958, de 1962 e de 1970.
O texto prevê ainda um prêmio de R$ 100 mil para cada jogador titular e reserva, e um auxílio especial para a aposentadoria de heróis, como Pelé, Zagalo, Tostão, Rivelino, Leão e tantos outros atletas que tanto fizeram por eles, digo, pelo Brasil. Ser professor no Brasil é uma opção de vida quase sacerdotal. Herois são os da mídia, como a Luiza que voltou do Canadá.
* Gabriel Novis Neves é médico e ex-reitor da UFMT.
Fonte: Envolverde.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Salário de professor
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sábado, 3 de dezembro de 2011
O Bom, o Mau e o Freela
* Cassius Medauar
Da mesma forma que em trabalhos fixos, o freela sempre encontrará clientes bons e maus (e tudo o que existe entre esses dois extremos). Dos que pagam bem aos que não pagam, dos prazos indecentes aos prazos de mãe, dos pedidos de alterações estranhas aos e-mails de parabéns, e por aí vai. O freela tem que se virar para manter uma atitude profissional diante de ambos.
É muito difícil para um freela recusar trabalho, mesmo que o prazo seja insano ou que o valor não seja tão bom, pois nunca se sabe quando o mercado vai virar e se daqui a alguns meses faltará coisas para fazer. Por outro lado, como já falei aqui, não adianta abraçar o mundo e não conseguir entregar nem no prazo e nem com qualidade – desse jeito, o mau será você.
Se está começando, você provavelmente terá que se sujeitar a alguns prazos mais malucos e a pagamentos menores. Isso é normal, mas tudo tem um limite. Alguns clientes têm prazos impossíveis e querem pagar um preço muito abaixo do valor de mercado para quem está iniciando. Pesquise antes de aceitar: se você não valorizar seu próprio trabalho e o ramo que escolheu para trabalhar, ninguém o fará.
Depois de um tempo estabelecido, é possível começar a formar uma base de clientes de confiança que valorizam seu trabalho e com os quais você acabará trabalhando mais regularmente, mas lembre-se que a confiança é uma via de mão dupla e que você também deve conquistar a confiança do cliente.
Sempre há muitos fatores envolvidos quando se rotula alguém de “bom” ou “mau”. Às vezes, o cliente não paga tão bem, mas dá um belo prazo e uma quantidade de trabalhos que não acaba; às vezes, o prazo é bem curto, mas o cliente pagará um extra pela urgência. Sempre há casos e casos.
O mais importante em tudo isso é sempre conversar abertamente, não ter medo de perguntar tudo o que quer saber, negociar, discutir prazos e saber dizer “não” quando necessário. O combinado não é caro e a sinceridade, em geral, é a coisa mais apreciada em uma relação de trabalho (ou deveria ser).
Se alguém ficar melindrado depois de você explicar por que não pode (ou não quer) pegar um trabalho, sinto muito, mas talvez esse cliente não seja alguém com quem você queira trabalhar. O problema é que a reciproca também é verdadeira.
* Cassius Medauar (@cassiusmedauar) é formado em Jornalismo pela Cásper Líbero e está no mercado editorial há mais de dez anos, tendo trabalhado como editor na Conrad, Pixel e Ediouro, além de também ter passado pela editora Abril. Fanático por quadrinhos, cultura pop em geral e esportes, passou a trabalhar apenas como tradutor e jornalista freelancer há dois anos, tendo traduzido Beber, Jogar e F@#er, O Vendedor de Armas, Dexter: No Escuro, Um Otimista Incorrigível (Biografia de Michael Fox), Cicatrizes (HQ), entre outros.
Fonte: PublishNews.
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O freela, a disciplina e o não
(*) Cassius Medauar
Acredito que falei em disciplina em 90% de minhas colunas e lá vou eu falar de novo, pois essa palavrinha é o que rege (ou o que deveria reger) a vida de um freela. No texto de hoje quero usá-la especificamente no contexto da quantidade de trabalhos que você pega em relação ao quanto de dinheiro que você guarda.
É muito importante que o freela seja disciplinado com o dinheiro que recebe, pois haverá meses com mais trabalho e outros com menos, por isso é bom a pessoa ir fazendo um fundo para os meses de baixa, como a formiga na fábula da formiga e da cigarra.
Pode ser uma poupança, alguma outra aplicação ou até mesmo embaixo do colchão, mas é indispensável que você sempre calcule bem o que vai ganhar, quanto precisará gastar com contas e o quanto pode poupar. Se por acaso não estiver sobrando nada, talvez seja hora de rever seus gastos e fazer cortes neles.
E aí entra novamente a disciplina que o freela precisa ter: a hora de aceitar trabalhos. Tem épocas do ano que a coisa bomba, um monte de gente que passar coisas e você fica pensando se deve aceitar tudo, pois dali dois ou três meses pode não ter trampo. Muita gente acaba tentando abraçar o mundo e atrasa todos os trabalhos.
É exatamente para isso que o freela deve ter todo o cuidado financeiro acima: não cair na armadilha de querer abraçar o mundo e acabar prejudicando a qualidade do seu trabalho e o seu nome. Você deve tentar pegar apenas o que consegue dar conta. Dizer não é algo bem difícil, mas imprescindível para o freela.
Quando eu era editor, sempre preferi o freela que me dizia que não podia pegar por causa do prazo do que o que pegava e depois não conseguia fazer. É claro que atrasos acontecem e ninguém consegue fazer tudo certo sempre, mas o atraso não pode ser a regra, tem que ser no máximo a exceção.
Portanto volto a bater na mesma tecla: DISCIPLINA. Gaste menos do que ganha, guarde dinheiro para quando o inverno chegar, pegue só o que conseguir dar conta e não tente abraçar o mundo.
Cassius Medauar (@cassiusmedauar)é formado em Jornalismo pela Cásper Líbero e está no mercado editorial há mais de dez anos, tendo trabalhado como editor na Conrad, Pixel e Ediouro, além de também ter passado pela editora Abril. Fanático por quadrinhos, cultura pop em geral e esportes, passou a trabalhar apenas como tradutor e jornalista freelancer há dois anos, tendo traduzido Beber, Jogar e F@#er, O Vendedor de Armas, Dexter: No Escuro, Um Otimista Incorrigível (Biografia de Michael Fox), Cicatrizes (HQ), entre outros.
A coluna Vida de Freela contará como é trabalhar como freelancer, os prós e contras, o contato com as editoras, os macetes e tudo o que você sempre quis saber sobre isso mas tinha medo de perguntar.
Fonte: Publishnews.
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sábado, 1 de outubro de 2011
O português brasileiro no mundo e a tradução
* Felipe Lindoso
A tradução é um grande fator de consolidação e expansão das línguas literárias. Mesmo depois de sua consolidação – geralmente por um processo político, mas que inclui em muitos casos a cristalização em uma grande obra literária – o enriquecimento dos idiomas sempre se dinamiza com a polinização feita pelas traduções. No caso das línguas neolatinas, deu-se a necessidade de traduzir os textos originários do latim, que em muitos casos já eram traduções do grego, e mais ainda, traduções feitas através do árabe. No caso do inglês e do alemão as respectivas traduções da Bíblia foram fator importantíssimo na cristalização dos respectivos idiomas. As traduções de Lutero e a do Rei Jaime introduziram e consolidaram muitas palavras e expressões que, paulatinamente, se tornaram comuns no alemão e no inglês.
No decorrer da história, algumas circunstâncias políticas, econômicas e sociais fazem que, em um determinado período, alguns idiomas assumam um papel predominante. No início do mundo moderno o português e o espanhol assumiram esse papel, e espalharam vocábulos pelo mundo afora. Mais tarde foi a vez do francês, a língua da diplomacia, talvez a primeira – depois da eliminação do latim – a se tornar “língua franca” no chamado Ocidente. Finalmente o inglês, impulsionando primeiro pelo Império Britânico e depois pela preponderância econômica e militar dos Estados Unidos, assumiu esse papel.
Essa preponderância aparece de modo muito concreto no mundo editorial, evidenciando-se sob duas formas. Em primeiro lugar, o inglês é o idioma de origem da imensa maioria das traduções feitas para qualquer outro idioma. Em segundo lugar, o idioma inglês – e particularmente o que se expressa nos livros publicados nos Estados Unidos – é o que menos recebe traduções.
Chad Post, professor da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, mantém um site chamado “The Three Percent Problem”. O nome vem da avaliação feita por ele que ao norte apenas três por cento das publicações nos EUA são traduções, e que isso estreita a visão do mundo dos americanos. Chad Post é um batalhador pelo aumento das traduções nos Estados Unidos. Há alguns anos o secretário da Academia Sueca também “acusou” a literatura estadounidense de provinciana e limitada por não receber a influência da literatura universal.
À parte a ranhetice do sueco, o fato é que, não apenas na literatura, mas também nas ciências, o predomínio do inglês é avassalador. Tão grande que gera reações bem características em diferentes países, geralmente bradando por um apoio especial para suas literaturas e na promoção dos respectivos escritores. E os norte-americanos acabam se encerrando em sua autossuficiência.
A UNESCO mantém um arquivo chamado “Index Translationum”, desde 1932. A partir de 1979 as informações foram colocadas online e servem de base para algumas observações interessantes. Recentemente estudei essas informações em função de um projeto em que trabalho no Itaú Cultural, o “Conexões - Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira”, que pretende montar um banco de dados com informações de pesquisadores, professores e tradutores da literatura brasileira no exterior. Já temos mais de 200 mapeados e continuamos crescendo, e vários quadros estatísticos que podem ser vistos no site.
A análise de alguns dados do Index revelou-se interessante. Dos 50 autores mais traduzidos no mundo, segundo o Index, nada menos que 22 são de língua inglesa, seis são alemães e franceses, quatro russos, um polonês (João Paulo II), um grego (Platão), uma sueca (Astrid Lindgren), um checo (Kafka), um dinamarquês (Andersen) e um “coletivo”. Ou seja, 44% do total são de língua inglesa. É muito para um só idioma.
Entretanto, dos 20 países que mais publicam traduções, os Estados Unidos estão em 11º lugar e a Inglaterra não está no grupo. E, considerando o tamanho da produção editorial e a população dos EUA, essa posição é sintomática da falta de interesse pelo que se escreve no resto do mundo. O país que mais traduz é a Alemanha, o Brasil está em 12º lugar, logo depois da China. Esses números dizem respeito a todos os tipos de tradução, das ciências humanas e sociais às ciências naturais e exatas, e à literatura.
As informações confirmam a percepção de que os Estados Unidos são “exportadores idiomáticos” muito maiores que importadores. E a Alemanha absorve gulosamente em seu idioma uma boa parte do que se escreve pelo resto do mundo.
As recentes iniciativas da Biblioteca Nacional de melhorar o programa de bolsas para a tradução podem contribuir um pouco para aumentar a presença brasileira (e, por conseguinte, do português), no panorama. Mas certamente não vão alterar o quadro geral.
Ao manusear os questionários enviados pelos mapeados do Conexões percebemos também um problema ligado a esse intercâmbio idiomático: nosso mercado editorial é muito pobre em dicionários. Nos últimos vinte anos tivemos a publicação no Brasil de dois importantes dicionários do português, o Aurélio e o Houaiss, além do Dicionário da Academia de Ciências de Lisboa (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea). Todos referentes ao português contemporâneo, sem nenhum que tenha um alcance histórico e filológico que mesmo de longe possa ser comparado ao OED – Oxford English Dictionary (mas esse, epítome da lexicografia, dificilmente será algum dia emulado).
Na área dos dicionários técnicos a situação é mais precária. Temos a Enciclopédia Agrícola Brasileira, projeto da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, que se destaca nesse panorama. Existem, é claro, vários dicionários especializados de direito, economia, ciências naturais, mas há uma queixa constante de tradutores a propósito da insuficiência de nossa produção lexicográfica. Os dicionários de gíria e expressões idiomáticas são quase todos folclóricos, além de limitados, produzidos mais a partir de uma perspectiva bairrista do que com rigor científico.
O problema é particularmente sensível na área dos dicionários bilíngues, onde a presença daqueles produzidos em Portugal é muito maior que a dos brasileiros.
A produção de dicionários é uma tarefa cara, exige investimentos consideráveis e de longo prazo. No mercado editorial, acrescente-se agora a necessidade premente de que sejam produzidas versões eletrônicas, e essas têm sido vítimas implacáveis da cópia não autorizada.
A elaboração de dicionários nas diferentes áreas técnicas e também de dicionários bilíngues merece uma atenção específica de políticas governamentais, o que até hoje não existiu.
Pior ainda, nos últimos anos – em particular entre 1994 e 2002 – houve um recuo do Itamaraty na manutenção dos Centros de Estudos Brasileiros, onde se dão cursos de português e se desenvolve – nos que sobraram – uma importante ação cultural. Foram também encerradas cátedras de português em algumas universidades europeias e norte-americanas onde existiam.
Tudo isso contrasta com a ação do Instituto Camões, de Portugal, e o Instituto Cervantes, da Espanha. Duas instituições que, apesar das recentes restrições orçamentárias, principalmente em Portugal, aplicam uma política proativa de promoção do idioma, de estímulo ao seu ensino e da tradução de seus autores. Com o devido respeito à lusofonia, não podemos ficar dependentes dos portugueses para a difusão do idioma, e urge tornar real a antiga promessa da criação do Instituto Machado de Assis para a promoção do português falado no Brasil e de nossos autores. Essa é uma tarefa à qual não podem se furtar o Itamaraty, o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação.
* Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da http://www.blogger.com/img/blank.gifCâmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Manthttp://www.blogger.com/img/blank.gifêm o blog www.oxisdoproblema.com.br
A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.
Fonte: Publishnews.
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Dissertação prega videogame como ferramenta de ensino
Estudo mostra que jogos com conteúdo podem ser usados na sala de aula
Videogame em sala de aula não é apenas brincadeira para o educador Gustavo Nogueira de Paula. Ele acaba de apresentar dissertação de mestrado no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) em que defende a proposta da utilização crítica dos games populares na escola. Segundo Nogueira, é fato que os jogos para consoles de videogame ocupam um lugar de destaque quando o assunto é entretenimento de crianças e adultos. Entretanto, o pesquisador acredita que há saberes intrínsecos na concepção dos jogos, os quais merecem ser explorados nas disciplinas escolares. “Mas, os efeitos danosos mostrados nas propagandas negativas acabam prevalecendo. Videogame está sempre associado a cenas de violência ou algo pernicioso, mas existe uma variedade de jogos bem desenvolvidos com conhecimento útil para o aprendizado”, destaca Nogueira.
Para o educador, o videogame tem potencial para ser uma ferramenta a mais para motivar os alunos na escola. Mas, o preconceito ainda é grande, uma vez que a questão central seria como incorporá-lo nas ações pedagógicas sem que parecesse uma mera atividade escolar. “Não é simplesmente incorporar a tecnologia nas aulas, mesmo porque os jogos educativos e a tecnologia cada vez mais ganham espaço. O desafio seria, justamente, incluir os jogos populares nas disciplinas de maneira consciente, relacionando-os com o conteúdo”, explica. Neste sentido, a pesquisa realizada durante dois anos pelo educador contribui para criar parâmetros e caracterizar a prática de jogar videogames como um letramento digital específico.
O estudo teve como pano de fundo o episódio de 11 de setembro ocorrido em Nova York, nos Estados Unidos, durante o ataque terrorista ao World Trade Center. Gustavo Nogueira elaborou um texto explicativo sobre os atentados e passou para que dois garotos – de nove e dez anos – lessem antes de iniciarem uma partida dos jogos Call of Duty e 12 de setembro. Ele fez observações e análises individuais. O conteúdo dos jogos selecionados tem vínculo com o tema dos ataques terroristas. O Call of Duty Modern Warfare, por exemplo, é um dos jogos mundiais mais populares e traz em sua concepção um enaltecimento forte ao exército americano. Já o 12 de setembro, como o próprio nome define, diz respeito à reação pública após o episódio. Diferente do primeiro jogo que apresenta cenas de guerra, este último faz uma simulação de notícias e uma crítica forte à reação americana aos ataques ocorridos nas Torres Gêmeas.
Uma condição para participar da pesquisa era que os garotos nunca tivessem tido contato com os jogos. “O mais incrível foi que as crianças tão logo tomaram consciência das tarefas já demonstraram capacidade e habilidade suficientes para jogá-los com segurança. Foram rápidos na solução dos problemas e no avanço das etapas”, destaca o educador. No entanto, os jogadores não conseguiram relacionar o assunto do texto com o conhecimento que os jogos apresentavam. “Trataram como mera brincadeira. Quando se perguntava, por exemplo, o significado de Al qaeda eles não souberam responder, assim como não perceberam a relação que existia entre o texto e os jogos”, analisa.
Os resultados mostraram, portanto, que as crianças não se aperceberam do sentido semântico dos jogos, e não realizaram uma leitura minimamente crítica de conteúdos e argumentos veiculados. “Em vista desses resultados defende-se que http://www.blogger.com/img/blank.gifa escola se engaje mais diretamente com a educação para este tipo específico de letramento digital”, argumenta.
Publicação
Dissertação: “Caracterizando o ato de jogar videogame como um novo letramento”
Autor: Gustavo Nogueira de Paula
Orientador: Marcelo Buzato
Financiamento: Fapesp
Fonte: Jornal da Unicamp.
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Serviço de revisão de textos
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domingo, 15 de maio de 2011
Livro distribuído pelo MEC defende errar concordância
Um livro didático para jovens e adultos distribuído pelo MEC a 4.236 escolas do país reacendeu a discussão sobre como registrar as diferenças entre o discurso oral e o escrito sem resvalar em preconceito, mas ensinando a norma culta da língua.
Material e portal do MEC têm erros de ortografia
Professor americano defende uma nova sociologia da infância
Conselho quer informação sobre obra de Lobato para rever parecer
Um capítulo do livro "Por uma Vida Melhor", da ONG Ação Educativa, uma das mais respeitadas na área, diz que, na variedade linguística popular, pode-se dizer "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado".
Em sua página 15, o texto afirma, conforme revelou o site IG: "Você pode estar se perguntando: 'Mas eu posso falar os livro?'. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico".
Segundo o MEC, o livro está em acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) --normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didáticos.
"A escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma 'certa' de falar, a que parece com a escrita; e o de que a escrita é o espelho da fala", afirma o texto dos PCNs.
"Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos", continua.
Heloísa Ramos, uma das autoras do livro, disse que a citação polêmica está num capítulo que descreve as diferenças entre escrever e falar, mas que a coleção não ignora que "cabe à escola ensinar as convenções ortográficas e as características da variedade linguística de prestígio".
O linguista Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, critica os PCNs.
"Há uma confusão entre o que se espera da pesquisa de um cientista e a tarefa de um professor. Se o professor diz que o aluno pode continuar falando 'nós vai' porque isso não está errado, então esse é o pior tipo de pedagogia, a da mesmice cultural", diz.
"Se um indivíduo vai para a escola, é porque busca ascensão social. E isso demanda da escola que lhe ensine novas formas de pensar, agir e falar", continua Bechara.
Pasquale Cipro Neto, colunista da Folha, alerta para o rhttp://www.blogger.com/img/blank.gifisco de exageros. "Uma coisa é manifestar preconceito contra quem quer que seja por causa da expressão que ela usa. Mas isso não quer dizer que qualquer variedade da língua é adequada a qualquer situação."
Fonte: Folha.com.
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